Todo mundo tem que reclamar
Eu vou tirar meu pé da estradaE vou entrar também nessa jogada(RaulSeixas) Eu decidi que vou botar meu time em campo. Eu vou dizer em alto e bom som: sou contra. Contra o quê? Aos maus tratos, ao amor pela metade, aos telefones que não tocam. Sou contrária aos pensamentos reprimidos, aos comprimidos que garantem felicidade e boa noite de sono. Sou contra! Contra às bandeiras recolhidas, ao não-viver. Sou contra se esconder. Chega de gritos contidos.
A favor das palavras que são ditas de verdade, aos amores um pouco bandidos, à fome insaciável por saber, sou a favor do querer. Gosto de gente com a cara lavada, com os olhos iluminados, porque gosto de luz. Menos quando acordo cedo. Gosto de quem é sendo. Gosto de elefantes e suas memórias. Gosto dos diários e suas histórias. Gosto de quem gosta de ouvir. Gosto de quem gosta de falar.
Não quero preconceitos, eu quero é ter direitos. Sou contra quando me falam que é conversa de adulto. Sou contra não poder passear com meus leões pelas ruas da Malásia. Sou contra a guerra de armas. Sou contra a guerra de palavras. Sou contra a guerra de sentimentos. Nas guerras, não há vencedores. Nem mesmo nas de travesseiros.
Sou a favor do chimarrão no fim da tarde. Da música lenta e da conversa baixinha ao pé do ouvido.
Sou a favor das flores, das cores, dos amores livres, do sorriso leve e franco.
Sou a favor das flores, das cores, dos amores livres, do sorriso leve e franco.
Não gosto desse texto, mas não o escrevo só por escrever. Não acho justo ter pensado nele por cinco quarteirões e o deixar morrer. Essas palavras fizeram por merecer a vida. Todos fazem.
Sou a favor de você, de mim. Sou a favor de quem gosta de viver. De quem sorri para a vida e a agarra com as unhas.
E não gosto de finais, embora sejam necessários.
E não gosto de finais, embora sejam necessários.